Vacina contra HPV protege cânceres de orofaringe e pescoço
A vacina nonavalente, que protege contra nove subtipos do HPV, atualmente está disponível apenas na rede privada e custa cerca de R$ 800 a dose. Recentemente, a Anvisa anunciou uma atualização na bula dessa vacina, incluindo a prevenção de cânceres de orofaringe e de cabeça e pescoço. Isso significa que agora o imunizante também é oficialmente reconhecido como uma forma de prevenção para esses tipos de câncer.
Antes dessa atualização, a vacina já era recomendada para combater câncer de colo do útero, vulva, vagina e ânus, além de verrugas genitais e lesões pré-cancerosas. Essa nova indicação se aplica a pessoas entre 9 e 45 anos, independentemente do sexo.
A Anvisa explicou que essa decisão se baseia na proteção contra os tipos de HPV que causam a maior parte desses cânceres. A vacina gera uma resposta imunológica forte, tornando-a uma opção eficaz na luta contra essas doenças.
### Disponibilidade e vacinação no SUS
Enquanto a vacina nonavalente ainda não é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ele disponibiliza gratuitamente a vacina quadrivalente. Esta versão é aplicada em dose única, especialmente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de pessoas imunossuprimidas até 45 anos. Um lembrete importante: jovens de 15 a 19 anos que perderam a chance de se vacinar podem procurar a vacina até junho deste ano.
A Anvisa recomenda que a vacinação aconteça preferencialmente antes do início da vida sexual, já que o HPV é transmitido principalmente pelo contato sexual. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, apenas 85,9% das meninas e 74,3% dos meninos nesta faixa etária estavam vacinados, números que ainda não atingem a meta desejada de 90%.
### Proteção e eficácia
A vacina quadrivalente protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV e é indicada para prevenir vários tipos de câncer, além de verrugas genitais. O Instituto Butantan, que produz essa vacina nacionalmente, destaca que os tipos 16 e 18 estão ligados a câncer de pênis e orofaringe também.
Pesquisas mostram que o HPV tem um impacto significativo no câncer global. Um estudo recente da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), vinculada à OMS, revelou que 10,2% dos casos de câncer no mundo estão relacionados a infecções, principalmente pelo HPV.
### Futuro promissor na erradicação do câncer
Graças à eficácia das vacinas, especialistas acreditam que é possível eliminar o câncer de colo do útero nas próximas décadas. A OMS estabeleceu algumas metas para 2030, como vacinar 90% das meninas até os 15 anos, garantir que 70% das mulheres realizem rastreamento aos 35 e 45 anos e assegurar que 90% das pacientes diagnosticadas recebam tratamento adequado.
Estimativas apontam que, com a vacinação e rastreamento em larga escala, muitos países poderão erradicar esse tipo de câncer até o final do século, prevenindo cerca de 13,4 milhões de casos até 2069.
Resultados de vários países reforçam essa expectativa. Um estudo na Suécia revelou que, entre mulheres vacinadas com a quadrivalente, houve uma redução de 63% no risco de câncer invasivo do colo do útero antes dos 30 anos. Entre aquelas vacinadas antes dos 17, a redução foi ainda maior: 88%. Na Holanda, as mulheres totalmente imunizadas aos 16 anos mostraram uma queda de 92% no risco de câncer do colo do útero após 15 anos. E na Escócia, não foi registrado nenhum caso da doença entre mulheres vacinadas aos 12 e 13 anos depois de até 16 anos de acompanhamento.
Com a ampliação da indicação da vacina nonavalente, o Brasil dá mais um passo em sua estratégia de combate a diferentes tipos de câncer associados ao HPV.
