Política e tensões na Copa do Mundo de 2026

A Copa do Mundo de 2026 já está no horizonte, e, assim como em edições anteriores, a convivência entre futebol e política está em alta. Com a competição programada para acontecer nos Estados Unidos, Canadá e México, muitas questões políticas têm surgido, como a imigração, guerras e até mesmo pedidos de boicote.

O debate sobre a relação entre política e esporte não é novidade. Tem quem acredite que esses dois mundos devem ficar bem distantes, enquanto outros sustentam que eles sempre andaram de mãos dadas. Com a aproximação do Mundial, as tensões políticas nos EUA acendem um sinal de alerta para todos os envolvidos.

A história começou a se desenhar quando a FIFA e a UEFA puniram a Rússia, após a invasão da Ucrânia. Com isso, a seleção russa ficou fora das Eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar e, consequentemente, do próprio torneio. Essas medidas ainda estão em vigor, refletindo a sequência dos acontecimentos.

Futebol e tensões políticas caminham juntos. Recentemente, houve um episódio mais explosivo: os EUA invadiram a Venezuela para capturar o presidente Nicolás Maduro, numa operação liderada pelo então presidente Donald Trump. E, mesmo que essa ação não se equipare ao conflito entre Rússia e Ucrânia, as consequências ainda ecoam. Trump, em suas declarações, até mencionou a ideia de anexar a Groenlândia, território dinamarquês.

Dentro deste cenário, as políticas de imigração se tornaram um assunto quente. Na corrida eleitoral, Trump levantou a bandeira da deportação em massa e endureceu as regras para a entrada de estrangeiros no país. Desde seu primeiro mês de mandato, restrições foram impostas, como a proibição da entrada de cidadãos de 12 países e o congelamento da emissão de vistos para 75 nações, incluindo o Brasil e outras seleções que participarão do Mundial.

A Possibilidade de Boicote

Das conversas sobre as tensões, surge novamente o tema do boicote. Na Holanda, já se discute a possibilidade, e o presidente da Federação Holandesa de Futebol, Frank Paauw, criticou as ações de Trump, embora tenha descartado a opção de não participar da Copa. Por outro lado, o vice-presidente da federação alemã, Oke Göttlich, se manifestou a favor de um boicote, temendo que o evento se transformasse em uma grande propaganda para o presidente americano.

Até alguns parlamentares dinamarqueses entraram na discussão. Morgens Jensen, do Partido Social Democrata, afirmou que um boicote poderia ser relevante caso ocorra uma invasão à Groenlândia. Já o deputado britânico Simon Hoare, nessa linha, destacou que Trump não gosta de ser exposto ao ridículo, algo que poderia ocorrer se seleções atuarem em seu território durante o Mundial.

A repercussão é tão grande que, segundo o jornal britânico The Guardian, representantes de 20 seleções europeias se reuniram para discutir os impactos das ações de Trump. Até Joseph Blatter, ex-presidente da FIFA, fez um apelo aos torcedores: “Um conselho: evitem os Estados Unidos!”.

A situação é ainda mais delicada agora, pois, enquanto a Rússia era uma seleção secundária no futebol, os Estados Unidos são a sede do torneio. Resultado: qualquer tipo de sanção teria um peso muito mais significativo. Com 11 cidades americanas, três mexicanas e duas canadenses programadas para receber os jogos, a Copa promete ser um verdadeiro evento internacional, com o Brasil jogando todos os seus jogos da fase de grupos na costa leste dos EUA.

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