Conflito judicial sobre canção de Tim Maia pode afetar Corinthians

O Corinthians está enfrentando uma situação complicada que envolve uma dívida de quase R$ 10 milhões relacionada a uma disputa legal sobre o uso de uma música famosa de Tim Maia. O clube incluiu esse valor como uma “perda provável” em seu relatório de credores após uma condenação no caso.

A confusão começou lá em 2012, durante o Mundial de Clubes da FIFA. Naquela época, o Corinthians usou uma canção inspirada em “Não quero dinheiro (só quero amar)”, de Tim Maia, em diversas ações publicitárias. Isso incluía comerciais de TV, postagens nas redes sociais e até mesmo nas camisas dos atletas. No entanto, a gravadora Warner/Chappell Music e o espólio do cantor, representado pelo filho Carmelo Maia, não gostaram nada disso e decidiram processar o clube.

### A origem do litígio e a evolução do processo

Em 2017, a gravadora e os herdeiros de Tim Maia processaram o Corinthians, inicialmente pedindo R$ 4 milhões por direitos autorais. Com o desenrolar do processo, esse valor subiu e agora gira em torno de R$ 10 milhões. A diretoria do clube já admite que as chances de perder esse caso são grandes. O diretor financeiro, Emerson Piovesan, confirmou que essa perda é tratada com seriedade internamente.

Após o andamento da causa, Carmelo Maia se manifestou. Ele teve uma conversa franca sobre a situação e destacou que o processo não tem nada a ver com a torcida do Corinthians. “Torcedores, vocês podem cantar o quanto quiserem e mudar a letra como bem entenderem”, afirmou. O foco dele é a questão dos direitos autorais que, segundo ele, não foram respeitados pela gestão anterior do clube.

### Uma conversa com a torcida

Carmelo também fez questão de se conectar com as torcidas organizadas do Corinthians, como Gaviões da Fiel e Camisa 12. Ele se mostrou respeitoso e amigo, deixando claro que sempre esteve aberto ao diálogo. “Não há confusão contra ninguém”, disse, enfatizando que a falta de entendimento no passado foi o que o levou a buscar a Justiça.

Ele explicou que a música de seu pai é gerida por uma multinacional que deve ser paga quando há uso comercial. Carmelo reforçou que, enquanto a torcida pode cantar livremente, existe uma diferença quando a canção é usada para gerar receita, especialmente em campanhas publicitárias.

### O que diz a Justiça

Durante o processo, a defesa do Corinthians alegou que a música tinha sido adaptada por torcedores e deveria ser vista apenas como uma paráfrase. No entanto, essa linha de pensamento foi rejeitada pela Justiça. A desembargadora Maria do Carmo Honório decidiu que houve uma reprodução substancial da canção sem autorização, o que caracteriza exploração econômica.

Em sua avaliação, a magistrada afirmou que o clube, sendo um grande time com receitas significativas, não pode se isentar de responsabilidades. Dessa forma, ficou claro que a forma como a música foi utilizada não era apenas uma adaptação, mas sim uma exploração comercial que resultou em ganhos financeiros.

### O futuro do caso

O montante final da indenização ainda está sendo discutido. A Warner solicitou a liquidação da dívida, que agora chega a quase R$ 10 milhões, e o Corinthians está esperançoso de que esse valor possa ser reduzido. Um laudo pericial indicou uma quantia menor, em torno de R$ 4 milhões. Isso significa que o desfecho desse processo ainda é incerto, e o assunto permanece em andamento, cercado de sigilo.

Enquanto isso, o Corinthians preferiu não comentar publicamente sobre as pendências jurídicas, mantendo o foco em suas atividades no campo. Ou seja, a torcida e o clube seguem acompanhando essa novela jurídica que traz à tona questões de respeito aos direitos autorais e a paixão pela música brasileira.

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