Coluna Nutry Light: Precisamos comer saladas e frutas mais saudáveis

Olá! Vamos falar um pouco sobre as vantagens de se consumir alimentos orgânicos.

Os alimentos orgânicos são aqueles plantados e criados em Sistema Orgânico de Produção Agropecuária ou obtidos através de Processo Extrativista Sustentável (espécies da Mata Atlântica, do Cerrado e da Amazônia como castanhas, açaí, pupunha e frutas).

No sistema orgânico de produção os alimentos são cultivados sem o uso de adubos químicos ou agrotóxicos, apenas com a ajuda de defensivos biológicos, adubos orgânicos e biofertilizantes.  Assim, as técnicas reduzem a poluição ambiental, protegem a qualidade da água, a fertilidade do solo, a vida silvestre e evitam problemas de saúde aos trabalhadores e consumidores, que podem ser causados pela exposição ou ingestão das substâncias tóxicas.

A menor exposição aos agrotóxicos pode causar dores de cabeça e estômago, sonolência e alergias, enquanto o maior contato pode causar distúrbios no sistema nervoso central (como paralisia e déficit de atenção), mal formação fetal, esterilidade e até câncer. Por isso a saúde dos trabalhadores envolvidos na produção orgânica é foco de muito cuidado, diferente do que ocorre com os trabalhadores rurais expostos. Estima-se no Brasil cerca de 200.000 intoxicações agudas com 3.000 óbitos anuais, em decorrência do uso inadequado dos agrotóxicos. Na produção orgânica os colaboradores ganham condições dignas de trabalho e seus direitos são respeitados, ajudando as famílias a melhorar de vida enquanto preservam o meio ambiente.

Controle: desde 2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) vem desenvolvendo o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), um trabalho conjunto da ANVISA, Vigilâncias Sanitárias Estaduais e Municipais e Laboratórios de Saúde Pública. Os resultados do Programa permitem verificar se os alimentos comercializados no varejo apresentam níveis de resíduos de agrotóxicos dentro dos Limites Máximos de Resíduos (LMR) estabelecidos pela própria ANVISA.

  • Metodologia: as amostras são coletadas em estabelecimentos varejistas nas capitais do país. Em 2015 foram analisadas 12.051 amostras de 25 alimentos representativos da dieta da população brasileira: abacaxi, abobrinha, alface, arroz, banana, batata, beterraba, cebola, cenoura, couve, feijão, goiaba, laranja, maçã, mamão, mandioca (farinha), manga, milho (fubá), morango, pepino, pimentão, repolho, tomate, trigo (farinha) e uva. Foram pesquisados 232 agrotóxicos.
  • Resultados: das amostras monitoradas foram consideradas insatisfatórias 2.371 (19,7%), sendo que 362 destas (3,00%) apresentaram concentração de resíduos acima do LMR e 2.211 (18,3%) apresentaram resíduos de agrotóxicos não autorizados para a cultura.

Alimentos com maior nível de contaminação por agrotóxicos

2009 2016
Pimentão 64,4% Pimentão 91,8%
Morango 36,0% Morango 63,4%
Uva 32,7% Pepino 57,4%
Alface 19,8% Alface 54,2%
Cenoura 30,4% Cenoura 49,6%
  Abacaxi 32,8%
  Beterraba 32,6%
  Couve 31,9%
Mamão 17,3% Mamão 30,4%
Tomate 18,3% Tomate 16,3%
Laranja 14,9% Laranja 12,2%
Maçã 8,9%
  Arroz 7,4%
  Feijão 6,5%
  Repolho 6,3%
  Manga 4%
  Cebola 3,1%
  Batata 0% (Ops… escapou!)

Lamentavelmente, o número de amostras de pimentão, morango, alface, cenoura e mamão com excesso de agrotóxicos aumentou, ao invés de diminuir; uva, pepino, abacaxi, beterraba, couve e maçã também estão na lista preocupante; tomate e laranja apresentaram uma pequena queda, porém a porcentagem contaminada ainda é alta. Se aproximadamente 20% das amostras estão em desacordo com a legislação, sem dúvida é recomendável dar preferência aos similares orgânicos.

PRECISAMOS COMER SALADAS E FRUTAS MAIS SAUDÁVEIS! Há uma tendência em todo o mundo, os consumidores estão melhorando seus hábitos alimentares e buscando produtos mais naturais e saudáveis, mais saborosos, menos industrializados, com menos aditivos e conservantes, frescos, regionais, orgânicos, agroecológicos, artesanais, provenientes da agricultura familiar… mas aqui no Brasil ainda estamos na fase inicial deste movimento, apesar da produção de orgânicos continuar em crescimento. Pesquisas mostram que no mercado americano 82% das famílias consumiram orgânicos no último ano, enquanto no Brasil foram apenas 15%. Os motivos para 85% da população não consumir orgânicos? 41% apontam o preço como fator determinante, os demais alegaram desconhecimento, falta de interesse e falta de local para compra.

Por que produtos orgânicos são mais caros? A produção tem o custo um pouco maior, por causa das chamadas “responsabilidades cidadãs”, mas o preço termina sendo em média 30% mais caro principalmente devido à logística. Então a dica é incentivar o consumidor a comprar diretamente dos produtores nas propriedades, nas feiras livres ou até mesmo através de redes e sites. Escolher produtos orgânicos estimula o crescimento desta prática, aumenta a oferta e no longo prazo diminui seu preço.

Para terminar, exija sempre o selo ou a licença de certificação, é a garantia de que o consumidor está adquirindo produtos isentos de resíduos tóxicos.

Referências:

http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos/o-que-sao-organicos

http://portal.anvisa.gov.br/programa-de-analise-de-registro-de-agrotoxicos-para

http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/noticia/2017/07/qual-o-tamanho-do-mercado-de-organicos-no-brasil.html

Brasil, 2009. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Produtos Orgânicos : O olho do consumidor / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de

Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo. – Brasília : MAPA/ACS, 2009.34 p. ; 20 cm.

Sousa AA, Azevedo E, Lima EE, Silva APF. Alimentos orgânicos e saúde humana: estudo sobre as controvérsias. Rev Panam Salud Publica. 2012;31(6):513–7.

>>> Claudia Raffaelli é nutricionista (CRN3/7512) da clínica Nutry Light, localizada na Rua Esmeralda Graciliano dos Santos, 50, Conj. 3, Centro, Ubatuba-SP. Mais informações (12) 99255-5909/ (12) 3833-5014.

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